terça-feira, 25 de junho de 2013
A onda
sexta-feira, 8 de março de 2013
Liberdade religiosa e privilégio ilegal
Pode ser o Führer, pode ser o padre local.Você sabe, às vezes Satã vem como um homem de paz
No Brasil existe um movimento teísta bastante articulado cuja principal característica é a luta política contra a ampliação de direitos dos homossexuais. Existe até mesmo frentes nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional que se autodenominam a "bancada evangélica"; mais especificamente são neopentecostais.
Tais igrejas são conhecidas por promover verdadeiros shows de horrores: pastor que tira o demônio do corpo da pessoa, cura do câncer, cura da homossexualidade e também doações consideráveis de dinheiro (incluído salários inteiros) e bens pessoais (veículo automotor, casa, apartamentos, etc.).
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Autoestrada 61 Revisitada
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| Eu tenho o LP. Há! |
Like a Rolling Stone já é por si só um hino, mas quero enaltecer mais ainda o álbum inteiro pois, na minha humildade e amadora opinião, é o álbum mais importante da música.
O álbum foi gravado em apenas 6 dias, e a Autoestrada 61 era a estrada que ligava a cidade natal de Dylan às cidades sulistas famosas pela história musical. Esse disco é o segundo depois da polêmica incursão do genial artista folk no mundo elétrico. E que transição frutífera.
Enquanto os Beatles perfilavam suas músicas alegrinhas e abriam o álbum pedindo ajuda (help! I need somebody), Dylan abria o álbum caçoando de alguém (once upon a time you dressed so fine / you threw the bums a dime in your prime, didn't you?). Ninguém tinha ideia do que viria a seguir.
O álbum é todo muito maduro, tanto musicalmente quanto em suas letras. Ballad of a Thin Man ainda é uma das músicas mais raivosas que conheço, e Queen Jane Approximately ainda é uma das músicas mais bonitas e simples que tive o prazer de escutar. Tudo isso pra culminar na apoteótica canção final do álbum: Desolation Row.
Desolation Row me arrepia. Não apenas ela tem o melhor solo de gaita de Dylan, mas uma das construções de letra mais fantásticas do poeta. Dylan circunda, dá voltas e descreve os personagens bizzaros desta "fila", mas todos invariavelmente voltam para a implacável "Fila da Desolação".
Façam um favor a vocês mesmos: escutem esse álbum com mais atenção.
Eu poderia falar do álbum inteiro, mas quero ser sucinto. Entretanto, pra quem quer saber mais, indico aqui análise magistral do blog Dylanesco sobre o Highway 61 Revisited. Confiram: http://dylanesco.com/o-melhor-disco-de-dylan-pt-1-para-a-historia-do-rock/
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Tu não escolhes quando.
Podes até tomar atitudes que no futuro te façam gostar menos de alguém. Como, por exemplo, se afastar. Afastar-se de alguém pode levar esse sentimento a ser gradativamente esquecido. Mas eu digo, não faça isso sem ter um motivo muito bom. Não te tortures por motivos bobos, não te impeças de estar com alguém que gostes porque supostamente "não estás pronta". A verdade é que podes ser exatamente o que essa pessoa precisa, procura e quer. E vice-versa.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Jonah Hex e o compromisso mútuo que temos um para com o outro
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| Jonah Hex, por Darwyn Cooke. |
A citação do começo desse texto é a reflexão do garoto. Ele se indaga: por que Hex o salvara dos lobos para depois jogá-lo novamente na mesma situação? Hex se solidarizou com o garoto que havia acabado de perder o pai e era atacado por lobos, então o ajudou contra os lobos, mas ele simplesmente não queria a responsabilidade de cuidar do garoto.
Eles foram verdadeiros um com o outro.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Só o inimigo nunca trai
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Já dizia Dylan
quarta-feira, 25 de julho de 2012
A abnegação
Quando eu era menor e via os filmes de mocinhos, acompanhava a jornada toda torcendo pra que ele conseguisse. O caminho nunca era fácil, as dificuldades eram grandes. Mas tudo bem, ao final ele conseguiria o que procurava e ainda ficaria com a garota. Muitas vezes a donzela era o objetivo principal desde o começo, mas sempre tinha uma garota.
Mais tarde eu fui apresentado a outros tipos de filme. Mais nobres, mas tristemente nobres. Depois de toda a penosa jornada o bom moço encararia o derradeiro desafio: a compaixão. Diante da possibilidade de conquista, ele acabava desistindo pois nota a existência de outra coisa, outra situação ou outra pessoa que merece aquilo que ele procurava mais que ele. Às vezes sumindo, às vezes contando uma mentira. Às vezes as duas coisas.
Quando criança eu pouco entendia da vida, mas muito de heroísmo, afinal eu lia quadrinhos e via desenhos. Não é assim que se aprende? Parecia ser um teste de moralidade enorme e uma dor maior ainda.
Cresci certo de que eu não teria de encarar situação parecida, e portanto não precisaria me preocupar se eu fosse capaz ou não de tamanho sacrifício; porque no fundo sabia que eu não conseguiria ser tão altruísta. Que irônico, eu estava enganado sobre todas essas três coisas.
Essas coisas não acontecem, nós as fazemos.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Não acreditar em Papai Noel é uma crença?
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| Lindo, não é? |
Mas quero me ater a outro ponto do bom velhinho.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Rebeldes sem causa?
quinta-feira, 17 de março de 2011
O motivo de ser das políticas sociais
"Se o Estado assistencial hoje vê seus recursos minguarem, cair aos pedaços ou é
desmantelado de forma deliberada, é porque as fontes de lucro do capitalismo se
deslocaram ou foram deslocadas da exploração da mão de obra operária para a
exploração dos consumidores. E também porque os pobres, despojados dos recursos
necessários para responder às seduções dos mercados de consumo, precisam de
dinheiro - não dos tipos de serviço oferecidos pelo Estado assistencial - para
se tornarem úteis segundo a concepção capitalista de 'utilidade'."¹
quarta-feira, 9 de março de 2011
O abandono do "Público" e a procura por Segurança Individual
Dentre os efeitos derivados da nova organização da sociedade, destaca-se o medo e a ansiedade; ambos catalisados pela competição da economia neoliberal, necessidade de flexibilidade e pela velocidade das mudanças em todos os âmbitos da vida social.
O novo peso do medo nebuloso tende “(...) a se descarregar sobre aquela categoria de ‘forasteiros’ escolhida para encarnar a ‘estrangeiridade’, a não-familiaridade (...)”¹. O medo tem, portanto, ligação íntima com o ódio.
Os reflexos acabaram também por ser institucionalizados. Em seu estudo sobre o aumento da demanda punitiva nos Estados Unidos, o sociólogo Loïc Wacquant indica o novo foco na responsabilidade individual como uma “(...) uma retórica viril da lealdade e da responsabilidade pessoais, feita sob medida para desviar a atenção da retirada do Estado das frentes econômica, urbana, escolar e da saúde pública.”². O professor chama também esse estado de “(...) neo-darwinista, que se baseia na competição, celebra a responsabilidade individual irrestrita e tem como contrapartida a irresponsabilidade coletiva e, portanto, política”³. Essa “responsabilidade individual irrestrita” é o argumento chave para a punição individual, levando-nos longe, entretanto, de abordar aspectos fundamentais para a criminalidade e, mais importante, propor soluções reais.
O Estado, ao retirar-se de frentes importantes para desenvolver segurança pública, delegou esta responsabilidade para os indivíduos, de forma que “(...) passa a ser tarefa do indivíduo procurar, encontrar e praticar soluções individuais para problemas socialmente produzidos (...)” ainda que “(...) estando munido de ferramentas e recursos flagrantemente inadequados para essa tarefa.”4.
De forma clara, na ausência de proteção ampla á sociedade, os indivíduos viram-se forçados a, pelo menos, procurarem segurança de forma individual. Querendo proteger-se de um ambiente tão miscigenado, o sujeito procurou ambientes mais uniformes, perto de seus semelhantes. Em contra partida, “(...) quanto mais tempo se permanece num ambiente uniforme (...) mais é provável que se ‘desaprenda a arte de negociar significados e um modus convivendi.”5.
As cidades modernas são provas vivas desta necessidade de segurança individual. O problema nessa estratégia, segundo Bauman, reside em que:
“(...) cada fechadura suplementar na porta de entrada, em resposta aos insistentes alertas sobre desenfreados criminosos de aspecto estrangeiro (...) induz ações defensivas posteriores que (...) terão inevitavelmente o mesmo efeito. Nossos medos são capazes de se manter e se reforçar sozinhos. Já têm vida própria.”6.
Para a quebra desse ciclo vicioso, é urgente a retomada dos espaços públicos, pois são estes “(...) locais onde se descobrem, se aprendem e sobretudo se praticam os costumes e as maneiras de uma vida urbana satisfatória (...)”7. Logo, os “(...)espaços públicos que, reconhecendo o valor criativo das diversidades e sua capacidade de tornar a vida mais intensa, encorajam as diferenças a empenhar-se num diálogo significativo.”8
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1 BAUMAN, Zygmunt. 2009, p. 37.
2 WACQUANT, Loïc. 2003, p. 35.
3 WACQUANT, Loïc. 2003, p. 31.4 BAUMAN, Zygmunt. 2007, p. 20.
5 BAUMAN, Zygmunt. 2009, p. 46.
6 BAUMAN, Zygmunt. 2009, p. 54.
7 BAUMAN, Zygmunt. 2009, p. 70.
8 BAUMAN, Zygmunt. 2009, p. 71.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BAUMAN, Zygmunt. Confiança e medo na cidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.
BAUMAN, Zygmunt. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.
WACQUANT, Loïc.Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos [A onda punitiva]. Rio de Janeiro: Revan, 2003, 3ª edição.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Tranalho na Nova Economia
O novo século, portanto, trás consigo um relativamente novo paradigma, notado no final da Segunda Grande Guerra, sendo este um “(...) capitalismo mais agressivo, disposto a forçar mudanças globais, e líderes políticos que não vêem alternativa a não ser permitir que o processo continue. (...)”¹. Paralelamente, a ideologia econômica predominante prega o afastamento do Estado do Mercado, enfraquecendo a já combalida presença estatal neste segmento da cultura humana.
Bauman já notava que “(...) a fragmentação política e a globalização econômica são aliados íntimos e conspiradores afinados.”²; uma política visando a diminuição governamental no campo econômico será tão bem sucedida quanto as forças políticas territoriais permanecerem frágeis.
Não podemos deixar de apreciar, entretanto, os objetos ativos sem os quais discutir flexibilidade econômica e competitividade seria impossível e sem sentido: nós, seres humanos; propulsores e destinatários do capitalismo e Estado modernos. Quão afetados somos por esta inexorável coexistência?
Em primeiro lugar, a competitividade, tão necessária para o plano neoliberal, implica, acima de tudo, em uma disputa entre pessoas. Dá-se um passo importante em termos individualistas, já que “quando a solidariedade é substituída pela competição, os indivíduos se sentem abandonados a si mesmos, entregues a seus próprios recursos (...)”³. Essa forma de trabalho incentiva cisões no corpo trabalhista da atualidade, repercutindo inclusive na perda do poder e voz sindical.
Outro fator importante da nova organização do trabalho é a flexibilidade. Sennet diz que o principal motivo dessa busca pelo flexível é reflexo da “(...) volatilidade da demanda do consumidor. (...)”4. O espírito consumista posa como o principal motivo da postura flexível do trabalho, a fim de reinventar, refazer e reformular seu funcionamento. Tais condutas criam o tácito lema “não há mais longo prazo”, que, por sua vez, “(...) desorienta a ação a longo prazo, afrouxa os laços de confiança e compromisso e divorcia a vontade do comportamento.”5
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1 GIDDENS, Anthony; HUTTON, Will., 2004, p. 15.
2 BAUMAN, Zygmunt. 1999, p.77.
3 BAUMAN, Zygmunt. 2009, p. 21.
4 SENNETT, Richard. 2008, p. 59.
5 SENNETT, Richard. 2008, p. 33.
REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS:
BAUMAN, Zygmunt. Confiança e medo na cidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.
BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999.
GIDDENS, Anthony; HUTTON, Will. Uma conversa. In: GIDDENS, Anthony; HUTTON, Will. No limite da racionalidade: convivendo com o capitalismo global. Rio de Janeiro: Record, 2004.
SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: as conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2008.


