A análise dessa transição e do começo deste novo século perpassa estes três termos: individualismo, consumismo e utilitarismo.
O novo individualismo, além das características clássicas do cultivo ao “eu” e as liberdades individuais, mostra, nos indivíduos, um “(...) afastamento da tradição e do costume de nossas vidas (...)” e problemas para aceitar “(...) a legislação sobre questões de estilos de vida por formas tradicionais de autoridade (...)”¹.
Ao falarmos do consumismo, temos de diferenciá-lo do mero consumo. Segundo Bauman, “(...) de maneira distinta do consumo, que é basicamente uma característica e uma ocupação dos seres humanos como indivíduos, o consumismo é um atributo da sociedade (...)”². Enquanto o consumo é uma característica natural dos seres humanos (somos consumidores naturalmente devido ao fato de consumirmos o ar para respirar, ou consumirmos os alimentos para nutrir-nos, por exemplo), o consumismo é uma característica socialmente criada de forma que sejamos instigados a desejar, consumir e depois descartar, na forma de um ciclo intermitente, objetos e experiências.
O último termo diz respeito à teoria política de Jeremy Bentham. Em suma, o utilitarismo diz, nas palavras de Bobbio:
O novo individualismo, além das características clássicas do cultivo ao “eu” e as liberdades individuais, mostra, nos indivíduos, um “(...) afastamento da tradição e do costume de nossas vidas (...)” e problemas para aceitar “(...) a legislação sobre questões de estilos de vida por formas tradicionais de autoridade (...)”¹.
Ao falarmos do consumismo, temos de diferenciá-lo do mero consumo. Segundo Bauman, “(...) de maneira distinta do consumo, que é basicamente uma característica e uma ocupação dos seres humanos como indivíduos, o consumismo é um atributo da sociedade (...)”². Enquanto o consumo é uma característica natural dos seres humanos (somos consumidores naturalmente devido ao fato de consumirmos o ar para respirar, ou consumirmos os alimentos para nutrir-nos, por exemplo), o consumismo é uma característica socialmente criada de forma que sejamos instigados a desejar, consumir e depois descartar, na forma de um ciclo intermitente, objetos e experiências.
O último termo diz respeito à teoria política de Jeremy Bentham. Em suma, o utilitarismo diz, nas palavras de Bobbio:
“(...) se devem existir limites ao poder dos governantes, eles não derivam da
pressuposição extravagante de inexistentes e de modo algum demonstráveis
direitos naturais do homem, mas da consideração objetiva de que os homens
desejam o prazer e rejeitam a dor, e em consequência a melhor sociedade é a que
consegue obter o máximo de felicidade para o maior número de seus componentes
(...)”³
Essa filosofia coaduna-se com a constatação de Anthony Giddens, pois o individualismo encontra consistência teórica no utilitarismo para argumentar contra regulamentações que venham mitigar o exercício de suas liberdades.
Andando juntos, individualismo e utilitarismo produzem um terreno fecundo para o crescimento e aceitação de uma economia neoliberal frente ao encontro dessa parceria com a pressão consumista da sociedade.
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1 GIDDENS, Anthony. 2005, p. 45.
2 BAUMAN, Zygmunt. 2008, p. 41.
3 BOBBIO, Norberto. 2005, p.63.
REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS:
BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
BOBBIO, Norberto. Liberalismo e democracia. São Paulo: Brasiliense, 2005.
GIDDENS, Anthony. A terceira via: reflexões sobre o impasse político atual e o futuro da social-democracia, 5ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2005.